Laryssa Borges, de Brasília, e Otávio Cabral
Cortejada por pelo menos sete partidos políticos por ter um capital
eleitoral próximo de 20 milhões de votos, a ex-senadora Marina Silva
decidiu se filiar ao PSB. O governador de Pernambuco e presidente
nacional da legenda, Eduardo Campos, desembarcou em Brasília ainda nesta
sexta-feira para costurar os detalhes finais da filiação. Na manhã
deste sábado, outros caciques do partido chegaram à capital para
discutir os termos da entrada de Marina no bloco socialista. A ideia é
que a ex-senadora componha a chapa de Eduardo Campos como candidata a
vice-presidente.Entre os próprios pessebistas, a ideia era de que Marina Silva pudesse ser anunciada como nova filiada à sigla ainda nesta sexta-feira, mas a presidenciável preferiu conversar com outras legendas que também lhe ofereceram espaço para justificar e agradecer os convites. Neste sábado, Marina e apoiadores do Rede Sustentabilidade estão reunidos com o presidente do PPS, Roberto Freire.
Desde a noite desta quinta-feira, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou, por seis votos a um, o registro à Rede Sustentabilidade, Marina e seus apoiadores têm discutido que hipóteses seguir. Familiares e militantes conhecidos como “sonháticos” defendiam que a ex-senadora abrisse mão de se filiar a qualquer legenda para continuar a recolher assinaturas para a Rede e manter a coerência de não se alinhar a partidos que não tivessem a mesma afinidade programática que ela. O PPS, por exemplo, um dos primeiros a lhe oferecer a legenda, apoiou ruralistas na votação do Código Florestal, no Congresso.
Políticos que contavam com a Rede para disputar as eleições, como os atuais deputados Alfredo Sirkis e Miro Teixeira, defendiam que ela não desprezasse os 19,6 milhões de votos que conseguiu na disputa presidencial de 2010 e que não ignorasse as pesquisas de intenção de votos que a colocam na segunda colocação, atrás apenas da petista Dilma Rousseff.
Racha na Rede – Desde o início da costura da Rede, a partir de fevereiro, parlamentares admitiam nos bastidores desconforto com a forma como Marina Silva lidava com aliados. Para eles, ela deva atenção exclusiva a seu projeto pessoal e não ouvia necessidades mais prementes dos correligionários, que também precisariam negociar a formação de palanques estaduais para serem competitivos em 2014.
Depois do impasse gerado com a decisão do TSE da última quinta-feira, apoiadores começaram a procurar outras legendas para concorrer nas eleições do próximo ano. O deputado Miro Teixeira (PDT), por exemplo, deixou o PDT e se filiou ao Pros. Domingos Dutra (MA), um dos fundadores do PT, também escolheu uma nova legenda, o recém-criado Solidariedade.